O que é o Transplante Hepático?
O transplante hepático é um procedimento cirúrgico complexo, em que o fígado doente do paciente é removido e substituído por um órgão saudável de um doador (falecido ou vivo).
A complexidade do procedimento exige grande expertise por parte da equipe cirúrgica, para realizar a cirurgia de modo seguro e no menor tempo possível. É necessário um equipe multidisciplinar, para acompanhamento do paciente nos períodos pré e pós-operatório.
Na maioria dos casos, é utilizado um órgão de doador falecido no transplante. Entretanto, em casos selecionados de pacientes adultos e para pacientes pediátricos, é necessário um doador vivo, que irá doar uma parte do seu fígado.
Quando é indicado o Transplante Hepático?
A indicação do transplante ocorre principalmente para:
- Cirrose hepática;
- Câncer no fígado – hepatocarcinoma;
- Insuficiência hepática aguda – hepatite fulminante;
- Atresia de vias biliares;
- Colangite esclerosante;
- Cirrose biliar.
Como é feito o pré-operatório do Transplante Hepático?
Antes do transplante, uma avaliação detalhada é importante para determinar se o paciente atende aos requisitos de elegibilidade para o tratamento.
Exames específicos, procedimentos e consultas são realizados:
- Exames laboratoriais (sangue e urina);
- Exames de imagem, como ultrassonografia e tomografia;
- Testes cardíacos, para determinar a saúde do sistema cardiovascular;
- Exame geral de saúde, incluindo testes de rastreamento de câncer e verificar outras doenças, que possam afetar o sucesso do transplante.
A avaliação também deve incluir:
- Aconselhamento nutricional com nutricionistas, que avaliam a dieta e orientam sobre como planejar refeições saudáveis antes e depois do transplante;
- Avaliação psicológica, para avaliar e tratar quaisquer problemas subjacentes, como depressão ou ansiedade, e para verificar se o paciente compreende totalmente os riscos de um transplante de fígado;
- Aconselhamento de dependência, para ajudar pacientes com problemas relacionados ao uso de álcool, drogas ou cigarro.
Enquanto espera pelo transplante, o paciente deve optar por hábitos saudáveis e se manter o mais ativo possível, para aumentar a probabilidade de estar pronto para o procedimento, quando chegar a hora.
Outros fatores importantes são:
- Seguir as orientações de dieta e exercícios;
- Cumprir todas as obrigações relacionadas à equipe de saúde;
- Manter-se envolvido em atividades saudáveis, incluindo passar tempo com a família e amigos;
- Usar corretamente a medicação prescrita.
Quais são os cuidados no pós-operatório do Transplante Hepático?
Após o transplante, o paciente segue para a UTI, com veias puncionadas no pescoço, no braço e na virilha, além de cateter vesical (para esvaziar a bexiga) e drenos abdominais. Em alguns casos, o paciente é mantido sedado e entubado após a cirurgia, para garantir conforto e melhor suporte ventilatório.
É comum o paciente permanecer na UTI na primeira semana após o transplante, período em que são retirados gradualmente os cateteres e drenos, além de serem realizados exames de sangue e imagem para avaliar a função do fígado transplantado. A dieta por via oral é reintroduzida assim que o paciente esteja acordado e estável.
Após o transplante, o paciente passa a receber medicamentos para suprimir o sistema imunológico (imunossupressores), incluindo corticosteroides. Esses medicamentos ajudam a reduzir o risco de rejeição do enxerto hepático.
Uma vez que recebe alta para o quarto, o paciente segue com a reabilitação, realizando exercícios de fisioterapia respiratória e motora, além de evoluir o aporte nutricional, até voltar a comer normalmente. Exames de sangue permanecem sendo realizados diariamente. Em muitos casos, são realizados também exames de imagem de controle, além de ajustes nas medicações até o paciente ter condição de alta hospitalar, que pode levar até 1 mês após a cirurgia.
Após a alta hospitalar e o retorno para casa, o transplantado deve seguir certos cuidados, como evitar contato com pessoas doentes, seguir uma dieta saudável, fazer exercícios físicos e evitar o consumo de bebidas alcoólicas. O uso de medicamentos, seja quais forem, deve ser feito sob orientação médica.
As consultas de acompanhamento e exames de sangue devem ser feitos a cada 1-2 semanas nos primeiros meses pós-transplante. Depois, se tornam mensais e, após 1 ano, a cada 2-3 meses. As consultas servem para orientações, acompanhar a evolução da cirurgia e detectar precocemente possíveis complicações. Os exames servem para avaliar a função hepática e dosagens dos medicamentos imunossupressores.
Passado o período crítico, de aproximadamente três meses após o transplante, o transplantado pode levar uma vida normal.